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Secas e enchentes

Günther Staub

Segundo as estatísticas, em cada dez anos, temos de seis a sete anos de seca no Rio Grande do Sul, naturalmente com variações de intensidade, perdas totais ou parciais de safras e, junto com elas, muitas dores, tragédias pessoais e familiares são estampadas todos os dias em rádios, TVs, jornais e internet.

Infelizmente isto já se tornou rotina entre nós. No inverno, temos enchentes, ou seja, excesso de água em uma estação e falta em outra. Isto acontece em um Estado que tem uma das maiores bacias hidrográficas do Brasil. O irônico de tudo isso é que muitas cidades estão localizadas na beira de rios, como, por exemplo, São Leopoldo. Ainda assim seus moradores sofrem racionamento de água, seja para consumo humano, seja para agricultura, seja para indústria; e, no inverno, convivem com enchentes. E a cada ano que passa o problema continua sem solução.Nem sequer os exemplos mundiais são seguidos:  Israel há 60 anos vem mostrando ao mundo como tirar água do deserto e ser um grande produtor de verduras e frutas; a Califórnia, também área com problemas hídricos, tem criado tecnologias de eficácia comprovada.

Nesses últimos meses, as perdas com a seca já estão estimadas em 20 bilhões de reais, fora as perdas indiretas.

Se  considerarmos por baixo a arrecadação que deixa de ser recolhida em média de 10%, teremos menos de 2 bilhões de reais em impostos, somente neste ano. Se fizermos um cálculo simples, e na hipótese de que as perdas das safras sejam constantes, teremos um total de perdas de impostos, em 10 anos, de R$20 bilhões de reais.

Ora, com R$20 bilhões dá para construir um fantástico sistema de irrigação no RS, um eficiente sistema de proteção às cheias e reservatórios, evitando-se as tragédias das enchentes. Teríamos toda água necessária nos períodos de seca como agora, e ainda sobraria muito. Também haveria muito dinheiro para investir em educação, saúde, construção de estradas e até ajudar a pagar as imensas dívidas do Estado. E assim se eliminaria o principal custo: o sofrimento humano.

Com a palavra, o governo federal, o governo do estado, os prefeitos e os produtores rurais. É preciso definir ações eficazes e não meramente paliativas como, caminhões pipa, tratores para abrir alguns buracos, prorrogação de dívidas, Sem esquecer, é claro, a exploração eleitoral que sempre é feita quando essas tragédias ocorrem.

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