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O papel do líder

O papel do líder
Günther Staub
Há pouco mais de um ano, assisti à palestra do CEO ou presidente de uma das grandes empresas
de telecomunicações do país, sobre suas realizações e sucessos à frente da empresa. Lá pelas
tantas, ele relatou o episódio em que as autoridades governamentais suspenderam as atividades
das empresas do segmento durante alguns dias, em resposta aos maus serviços que vinham
prestando aos milhões de usuários, inclusive aquela que ele presidia.
Essa suspensão encontrou o referido presidente em férias. Nesse momento do relato, ele lançou
uma pergunta ao auditório: “Vocês sabem o que é que eu fiz?”, e ele mesmo respondeu
“continuei em férias, pois controlei a situação pelos meios eletrônicos disponíveis”. Fiquei
surpreso e lembro que, na ocasião, alguns veículos de comunicação reclamavam que, durante
vários dias, não tinham conseguido contato com ninguém daquela empresa para esclarecer seus
consumidores aflitos.
Diante disso, fui rever todos meus conceitos e cursos de liderança de que tinha participado, e
todos diziam que os chefes tinham que estar presentes, serenos e ativos durante as crises, pois os
comandados ficam observando e ouvindo as orientações dos líderes máximos. Afinal de contas,
nesses momentos, é quando a insegurança, as incertezas, as dúvidas crescem e as pessoas ficam
ávidas por orientação.
Manifestei minha surpresa e inconformidade com essa atitude para empresários, dirigentes,
executivos das minhas relações pessoais e profissionais. Meses depois, o referido empresário foi
dispensado, mas imediatamente foi contratado por outra grande empresa brasileira, também
ligada a um número expressivo de empregados. Durou apenas 8 meses no cargo. Diante disso,
fui investigar e fiquei sabendo o motivo pelo qual ele tinha durado tão pouco tempo nos cargos
e constatei a prática de muitas atitudes inapropriadas a um líder de equipes.
Como se sabe, em caso de naufrágio, o comandante do navio sempre é o último a sair do navio.
Nos naufrágios dos navios italiano e coreano, os comandantes foram os primeiros a
abandonarem os navios e, por isso, houve tantas mortes, enquanto eles continuam vivos. Para
concluir, pode-se dizer que o caso aqui mostrado tem relação com os naufrágios: é sempre em
situação de risco que se exige o máximo de um líder.
Diretor da Staub Comunicação e Marketing

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