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O governo, os deputados e o povo.

Günther Staub

O governo mandou para a Assembléia Legislativa 25 projetos para serem votados em regime de urgência. Mesmo sem acesso integral aos projetos, suponho que cada projeto tenha em média quatro folhas cada um, o que equivale mais ou menos  a cem folhas para serem lidas e examinadas pelos deputados. Centenas de técnicos devem  ter trabalhado durante muito tempo para elaborar esses projetos de lei.

Pensando sobre esses fatos, animo-me a fazer algumas reflexões a respeito:

Cada deputado terá que ler estudar, entender, amadurecer e decidir sobre mais de um projeto por dia, cujos temas são os mais diversos possíveis.

Segundo pedagogos, psicólogos, neurologistas, a mente humana não consegue ter uma capacidade tão elevada para absorver, entender e decidir corretamente sobre tantos temas em tão pouco tempo.

Muitos desses projetos requerem busca e pesquisa de informações em vários órgãos do governo e as respostas,  em geral, não são instantâneas.

O período atual, época pré – eleitoral, está a exigir a atenção e o tempo dos deputados para negociar chapas em suas bases eleitorais, para as eleições de outubro. Falta tempo, e eles terão mais de um foco de atenção.

Pelo que se pode depreender: três desses projetos referem-se a aumentos de arrecadação, via taxas etc. ; a maioria dos demais projetos representa aumento de despesas; além disso, nenhum projeto refere-se à redução de custos da máquina estatal.

Com relação à criação da empresa pública de Rodovias S/A, lembro apenas dois pontos:  o DAER, desde o governo Collares, vem administrando pedágios e tem experiência. O DAER, por força dos poucos investimentos que vêm sendo realizados nos últimos anos, provavelmente não está operando em plena capacidade.

Dessa forma, se aprovados todos esses projetos, qual será o custo benefício anual, e qual será o custo nos próximos cinco ou dez anos? Se já somos o estado que menos investe no Brasil (mais ou menos 4%) da arrecadação, de onde sairão esses recursos?

É difícil essa missão dos deputados. Como a “base aliada” do governo tem maioria absoluta na Assembléia, é provável que os projetos sejam aprovados, o que acarretará uma fragorosa derrota à oposição, E isso sem contar que os  maiores derrotados serão os onze milhões de habitantes do RS, que pagarão essas contas pelo resto de seus dias e gerações.

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