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CRISE: O QUE TERIA FALTADO?

Artigo publicado no Jornal do Comércio em 14/07/09

Por Günther Staub

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Na atual crise, constatou-se que, embora a humanidade tenha sido capaz de criar gigantescas empresas e extraordinárias tecnologias, faltaram condições de continuar gerindo essas megacriações. Onde foi e onde aconteceram as falhas? Foi no sistema de ensino ou existe outra origem, mais difícil de perceber?

 

Nunca a humanidade estudou tanto quanto nas últimas décadas. É um dos principais destaques de realizações do século passado e deste, envolvendo formações diversificadas, de cursos profissionalizantes a mestrados e doutorados. Tudo foi criado para incentivar a pesquisa e gerar conhecimento, de uma maneira nunca antes pensada. E os resultados podem ser constatados a cada passo e a cada momento, em todos os setores da vida humana. Especificamente na área da macro e microeconomia, aconteceu o mesmo. Economia, engenharia, administração de empresas, finanças e contabilidade, planejamento, gestão, utilização de equipamentos, dos simples aos mais sofisticados, treinamento interno, treinamentos de complementação encontraram grande e significativo desenvolvimento, mostrando o quanto os agentes econômicos investiram esforços e recursos para crescer, ganhar mercado, aumentar a renda e assim melhorar o padrão de vida de toda humanidade.

 

Então, se todo o conhecimento adquirido não foi capaz de evitar a crise, é preciso examinar a questão sob uma outra perspectiva, situando suas origens na psique das pessoas, relacionada a comportamentos, atitudes, condutas. A crise atual mostrou que, apesar de tantos sucessos na área da pesquisa e da educação, houve falhas nas pessoas. A luta obstinada e inescrupulosa na obtenção de riqueza e poder – e tudo o que possibilitam – acarretou o soterramento do conhecimento e do saber formal. Isso faz pensar que uma parte importante das pessoas não cresceu o suficiente para gerir, com sucesso e ética, o seu próprio fazer. A busca desenfreada para alcançar objetivos leva as pessoas a não se importarem com seus semelhantes, ou seja, o homem continua sendo o lobo do homem.

A situação está a mostrar que, apesar do imenso sucesso na pesquisa e no ensino, as pessoas ainda precisam avançar. A tarefa que a humanidade ainda tem pela frente é gigantesca, pois os fatos atuais estão a mostrar que a ética e o respeito pelas pessoas não cresceram junto com o extraordinário desenvolvimento e o espetacular avanço macro e micro tecnológico-econômico.

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