Artigos

Chefes que saem da sala

Günther Staub

Publicitário

O GNT apresentou uma série de programas que tiveram como proposta básica a necessidade que executivos, especialmente os CEO’s, e presidentes de grandes empresas têm para conhecer o funcionamento de suas empresas em todos os níveis hierárquicos e sua forma de relacionamento com funcionários, clientes, fornecedores e distintos públicos. Eis o que fizeram: para não serem reconhecidos, recorreram ao teatro e usaram alguns recursos de maquiagem. Nessa condição, usaram macacões, recolheram e processaram lixo em uma grande empresa do ramo, desmontaram e carregaram móveis em uma empresa de mudanças, fizeram pão, carregaram e descarregaram caminhões de pães, trabalharam em centros de distribuição em uma rede de padarias. Trabalharam de madrugada, junto a operários e funcionários, enfrentando neve, chuva, frio e calor. Todos eles tomaram conhecimento da verdadeira imagem que funcionários, clientes e fornecedores tinham do serviço de sua empresa e de sua(s) marca(s).

De posse dessas informações, passaram a promover profundas modificações (para melhor) em suas empresas. E, finalmente, informaram aos funcionários as ações que desenvolveram junto com eles.

No Brasil, até existem empresários que, sem nenhuma maquiagem, saem de suas salas, embarcam em caminhões de madrugada e seguem o roteiro pré-estabelecido pela área de logística, vendendo, carregando, entregando caixas de produtos, conversando com donos de bares, restaurantes, lojas de ferragens, supermercados, indústrias. Com isso, buscam colher informações para melhorar os processos e a gestão do seu negócio.

Mesmo assim, essas iniciativas entre nós são relativamente poucas. Parece que não existe, por parte dos dirigentes, a total compreensão de quão necessárias são essas ações, porque muitas das dificuldades das empresas começam pelo desconhecimento dos vários departamentos, do chão de fábrica, dos almoxarifados e, até, dos clientes e fornecedores. Adicionalmente, cabe comentar que, nas grandes empresas, em função de políticas internas, nem todas as informações estratégicas são encaminhadas ao chefe, que se limita a receber apenas aquelas que o grupo de assessores decide.

É fundamental que atividades como essas, desenvolvidas na experiência europeia e americana, sejam empreendidas aqui no país, a fim de que se possa melhorar a gestão das empresas. E não se pode perder de vista, é claro, que para tanto é preciso manter humildade, muita energia, determinação, observação, análise e esforços. Só assim, é possível implementar inovações e melhorar as posições de mercado e os lucros.

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *